Resumo
Atualizado em 20 de setembro de 2026.
A primeira cotação vem em reais por quilo, a segunda em reais por milheiro e a terceira em reais por unidade. Qual delas é a mais barata? Sem converter tudo para a mesma base, a resposta é um palpite.
Para comparar cotações de saco plástico com segurança, é preciso saber quanto plástico cada saco leva. Esse peso depende de três números: a área do filme, a espessura e a densidade da resina.
Este artigo mostra a conta de conversão, um exemplo resolvido e os pontos em que a comparação costuma dar errado.
Por que cotações em unidades diferentes enganam
Cada fornecedor escolhe a unidade que mais favorece a própria proposta. O preço por quilo parece baixo quando o saco é grosso e pesado. O preço por milheiro parece baixo quando a espessura não aparece na cotação.
Resposta direta: Para comparar cotações de saco plástico, converta todas para a mesma unidade, o preço por saco acabado ou o preço por quilo equivalente. A conta usa massa igual a área vezes espessura vezes densidade, porque o preço por quilo só é comparável entre sacos de mesma espessura. Uma cotação sem espessura informada não pode ser comparada.
O erro mais caro é escolher a cotação de menor número na tela. Antes, é preciso checar se os sacos têm a mesma medida, a mesma espessura e a mesma resina.
Já reparou como duas cotações “baratas” chegam com pesos de saco completamente diferentes? É esse detalhe, não o número final, que decide qual proposta é realmente mais barata.
As três unidades: quilo, milheiro e unidade
Cada unidade de venda esconde um risco diferente:
Não sabe em qual dessas três unidades o seu fornecedor está te enganando? Envie as três cotações para a equipe técnica conferir a conversão.
Como calcular o peso do saco
A norma ISO 4591 descreve o cálculo da espessura gravimétrica de um filme a partir da massa, da área e da densidade da amostra. Ela também define o rendimento de uma bobina como a área por unidade de massa. Invertendo a conta, o peso do saco sai da área, da espessura e da densidade.
- Área do filme: duas faces, ou seja, 2 × largura × comprimento do saco, em centímetros.
- Espessura: converta micras para centímetros dividindo por 10.000 (40 micras = 0,004 cm).
- Densidade: na revisão de Coutinho, Mello e Santa Maria, o PEBD fica em torno de 0,91 a 0,93 g/cm³. O PEAD fica em 0,95 a 0,97 g/cm³.
- Massa: área × espessura × densidade, em gramas. A conta ignora as abas e as soldas, então é uma estimativa.
Exemplo prático: saco de 60 × 90 cm, PEBD com 40 micras e densidade de 0,92 g/cm³. Área: 2 × 60 × 90 = 10.800 cm². Volume: 10.800 × 0,004 = 43,2 cm³. Massa: 43,2 × 0,92 ≈ 39,7 g por saco, ou 39,7 kg por milheiro.
A cotação A cobra R$ 12,00 por quilo, o que dá R$ 476,93 por milheiro. A cotação B cobra R$ 500,00 por milheiro, cerca de 4,8% a mais.
Se o saco de B tiver 35 micras, ele pesa 34,8 g, e o preço equivalente é de R$ 14,38 por quilo. B cobra mais e entrega um saco 12,5% mais fino.
A escolha da faixa de espessura para cada resíduo está no artigo sobre a espessura do saco de lixo.
Bobinas: compare pelo rendimento em metros quadrados por quilo
Quando a cotação é de bobina ou de filme, o mesmo raciocínio vale sem precisar calcular o saco. Existe um atalho: espessura em micras vezes densidade em g/cm³ dá o peso do filme em gramas por metro quadrado.
- Peso por m²: espessura em micras × densidade. Para 50 micras de PEBD a 0,92 g/cm³, são 46 g/m².
- Rendimento: 1.000 ÷ peso por m². No mesmo exemplo, 1.000 ÷ 46 ≈ 21,7 m² por quilo.
- Custo por m²: preço do quilo × peso por m² ÷ 1.000, para comparar filmes de espessuras diferentes.
Exemplo prático: a bobina A custa R$ 10,50 por quilo e tem 50 micras (46 g/m²), o que dá R$ 0,483 por m².
A bobina B custa R$ 11,20 por quilo, cerca de 6,7% a mais, e tem 42 micras (38,6 g/m²). Isso dá R$ 0,433 por m², ou 10,4% menos. Por quilo, A parece mais barata; por metro quadrado, B é a mais barata. A conclusão só vale se a espessura menor atender ao uso.
Onde a comparação costuma dar errado
- Espessura não informada: sem ela, o preço por milheiro não diz quanto plástico você recebe.
- Medida útil diferente: largura e comprimento medidos com ou sem aba mudam a área e o peso.
- Resina diferente: virgem e reciclada têm preços e desempenhos distintos, como mostra o artigo sobre embalagem reciclada versus virgem.
- Tolerância de espessura: uma faixa larga de variação muda o peso real entre lotes.
- Condições comerciais: frete, prazo e pedido mínimo entram na conta, como explica o cálculo do pedido mínimo.
Cada item é uma pergunta que a cotação precisa responder antes de virar comparação.
Checklist para pedir cotações comparáveis
A comparação fica simples quando todos os fornecedores recebem o mesmo pedido, no mesmo formato. Ao cotar sacos de lixo ou outra linha sob medida, envie a mesma especificação para todos.
- Medida útil: largura e comprimento em centímetros.
- Espessura: em micras, com a tolerância aceita.
- Resina: virgem, reciclada ou mistura, com o percentual.
- Unidade e embalagem: preço por milheiro, quantidade por fardo e forma de entrega.
- Ficha técnica: peso por milheiro declarado pelo fornecedor, para conferir com a sua conta.
Compare pelo plástico entregue, não pela unidade da cotação
Para comparar cotações de saco plástico, a unidade de venda é só o começo. O que decide o custo real é o peso de plástico por saco, que vem da área, da espessura e da densidade.
Na prática, isso significa converter todas as propostas para preço por saco ou por quilo equivalente e recusar a cotação que não informa espessura. O exemplo deste artigo mostra que a proposta de menor número pode entregar um saco mais fino.
Pra comparar cotações de verdade, peça um orçamento direto com a fábrica de sacos plásticos em Duque de Caxias.
Perguntas frequentes
Como comparar cotações de saco plástico em quilo e em milheiro?
Calcule o peso de um saco com área × espessura × densidade e converta tudo para preço por saco ou por quilo equivalente. Só depois compare os valores.
Como calcular o peso de um saco plástico?
Multiplique a área do filme (duas faces) pela espessura em centímetros e pela densidade da resina em g/cm³. O resultado é a massa em gramas.
Qual a densidade do PEBD e do PEAD?
Segundo Coutinho, Mello e Santa Maria, o PEBD fica em torno de 0,91 a 0,93 g/cm³. O PEAD fica em 0,95 a 0,97 g/cm³.
O que é rendimento do filme?
É a área que se obtém por unidade de massa, ou seja, quantos metros quadrados saem de um quilo. Quanto mais fino o filme, maior o rendimento.
Por que o preço por milheiro pode enganar?
Porque ele não mostra a espessura nem o peso do saco. Dois milheiros com o mesmo preço podem ter quantidades muito diferentes de plástico.
Posso comparar preço por quilo entre sacos de espessuras diferentes?
Não diretamente. Um quilo de saco fino rende mais unidades que um quilo de saco grosso, então a comparação precisa vir em preço por saco.
Fontes
- ISO. ISO 4591:1992, Plastics: film and sheeting; determination of average thickness of a sample, and average thickness and yield of a roll, by gravimetric techniques. Disponível em: iso.org
- COUTINHO, F. M. B.; MELLO, I. L.; SANTA MARIA, L. C. de. Polietileno: principais tipos, propriedades e aplicações. Polímeros, 2003. Disponível em: scielo.br



