Resumo
Atualizado em 20 de setembro de 2026.
Você já olhou o fundo de uma embalagem e viu um triângulo de setas com um número dentro? Esse símbolo de reciclagem na embalagem plástica parece um detalhe, mas é a informação que decide se o material será separado e reciclado ou descartado.
Para quem compra embalagem em volume, a marcação entra na especificação e na logística reversa. A norma que regula esse código, a NBR 13230, teve um projeto de revisão em consulta nacional até agosto de 2026.
Este artigo explica o que cada número significa e o que a norma pede. Também mostra por que tanta embalagem sai sem marcação correta e o que exigir do fornecedor.
O que a NBR 13230 estabelece
A NBR 13230 trata da identificação e da simbologia de embalagens plásticas recicláveis. Segundo Coltro e Duarte, na revista Polímeros, o código de resina costuma ser um número de 1 a 7. Ele fica dentro de um triângulo de três setas, com uma abreviatura embaixo.
Resposta direta: O símbolo de reciclagem na embalagem plástica é um triângulo de três setas com um número de 1 a 7 e a sigla da resina. A NBR 13230 o define para facilitar a separação e a reciclagem. Cada resina precisa ser reciclada separada, por isso o código existe. Em embalagem de várias resinas, indicam-se os componentes principais.
Em outro trabalho da mesma revista, Coltro, Gasparino e Queiroz explicam que o sistema de códigos do SPI serviu de base para a norma brasileira. O objetivo é auxiliar a separação e a reciclagem dos plásticos descartados no resíduo urbano. O código funciona, assim, como uma linguagem comum entre quem fabrica, quem descarta e quem recicla.
Você já recebeu um lote com o triângulo de reciclagem certo, mas a resina real não batia com o número impresso? É exatamente esse descompasso que a norma tenta evitar.
Como ler o código de resina
O número indica a resina. Os seis materiais que têm símbolo próprio são, segundo Coltro e Duarte, os plásticos que predominam no resíduo sólido urbano. O sétimo código reúne o restante.
- 1, PET: politereftalato de etileno.
- 2, PEAD: polietileno de alta densidade.
- 3, PVC: policloreto de vinila.
- 4, PEBD: polietileno de baixa densidade.
- 5, PP: polipropileno.
- 6, PS: poliestireno.
- 7, outros: demais resinas e combinações, como PC e PA.
Nas embalagens flexíveis de saco e filme de polietileno, os códigos mais comuns são o 2 e o 4. A resina exata está na ficha técnica, e o código deve bater com ela.
Quem marca e como cobrar na compra
A marcação parte de quem fabrica e converte a embalagem, porque só o fabricante sabe qual resina usou. Segundo a ABRE, a revisão da norma afeta a cadeia inteira, de fabricantes e transformadores até o consumidor final.
- Citar a norma: escreva “marcação conforme ABNT NBR 13230” no pedido e confirme a edição em vigor no catálogo da ABNT antes de citar ano.
- Definir posição e legibilidade: o símbolo precisa estar visível e legível depois da conversão, então o local entra no desenho da embalagem.
- Prever multimateriais: para embalagem de várias resinas, peça a indicação dos componentes principais, como a norma prevê.
- Conferir no recebimento: compare o código impresso com a resina declarada na ficha técnica e registre o desvio quando os dois não baterem.
A marcação entra no briefing da embalagem PEAD sob medida como qualquer outro requisito, ao lado de dimensões e espessura.
Por que a marcação falha na prática
Coltro e Duarte avaliaram 509 embalagens plásticas flexíveis e encontraram cerca de metade com código de resina. Entre as de alimento, 59% tinham identificação, mas só 30% seguiam a NBR 13230 e 29% traziam a marcação incorreta. Entre as de outros produtos, só 40% tinham identificação, com 13% corretas e 27% incorretas.
Exemplo prático: se a proporção do estudo para embalagens de alimento se repetisse em 10.000 unidades por mês, cerca de 4.100 chegariam sem marcação (41%).
Outras 2.900 chegariam com marcação errada (29%). Ao todo, cerca de 7.000 unidades chegariam ao reciclador sem informação confiável.
Quer saber se o seu fornecedor está na faixa dos 41% sem marcação ou dos 29% com código errado? Peça uma auditoria da ficha técnica antes de fechar o próximo lote.
Sem marcação correta, o reciclador precisa adivinhar a resina, e a mistura de resinas prejudica a qualidade do material reciclado. Por isso a identificação sustenta a logística reversa de embalagens pós-uso.
Embalagem de mistura e multicamada: como marcar
Nem toda embalagem é feita de uma resina só. Filmes coextrudados e laminados juntam camadas diferentes, e cada camada pode ser de um polímero. Nesses casos, o código único não diz tudo.
- Monomaterial: uma resina só recebe o código dessa resina, como o 2 para PEAD ou o 4 para PEBD.
- Mistura de resinas: a norma prevê indicar os componentes principais da mistura, segundo Coltro e Duarte.
- Multicamada: os mesmos autores citam estruturas como BOPP/BOPP e PEBD/adesivo/PA/adesivo/PEBD como viáveis para reciclagem mecânica sem separação prévia das camadas.
Por isso, ao pedir uma estrutura multicamada, peça também a indicação da composição por camada e a informação de reciclabilidade. Sem esses dados, o reciclador não tem como decidir o destino do material.
A revisão da norma e o que fazer agora
De acordo com a ABRE, o projeto de revisão da NBR 13230 esteve em consulta nacional até 4 de agosto de 2026. Ele é conduzido pela comissão ABNT/CB-051. A associação afirma que o projeto impacta toda a cadeia de produção e descarte de embalagens plásticas.
- Confirmar a edição em vigor: consulte o catálogo da ABNT antes de citar ano ou edição no pedido.
- Acompanhar a nova edição: quando ela for publicada, revise o texto padrão da sua especificação.
- Alinhar quem compra e quem recebe: a equipe de compras cita a norma no pedido, e a de recebimento confere a marcação no lote.
- Ligar a marcação às obrigações do setor: o artigo sobre o decreto de embalagens plásticas mostra como a identificação se conecta à responsabilidade compartilhada.
Para o descarte industrial, a cor do saco também importa e é tema do artigo sobre coleta seletiva industrial.
Marcação correta é especificação, não detalhe gráfico
O símbolo de reciclagem na embalagem plástica só cumpre a função quando o número bate com a resina real e está legível depois da conversão.
Na compra, isso significa citar a NBR 13230 no pedido e confirmar a edição em vigor no catálogo da ABNT. Também vale conferir a marcação no recebimento, porque boa parte das embalagens avaliadas em estudo chegou sem identificação correta.
O código de resina impresso no saco é aplicado na fabricação, na própria fábrica em Duque de Caxias.
Perguntas frequentes
O que é o símbolo de reciclagem na embalagem plástica?
É um triângulo de três setas com um número de 1 a 7 e a sigla da resina embaixo. Ele identifica o tipo de plástico para ajudar na separação e na reciclagem.
O que significa o número dentro do triângulo?
Ele indica a resina: 1 PET, 2 PEAD, 3 PVC, 4 PEBD, 5 PP e 6 PS. O código 7 reúne os outros plásticos e as combinações.
Qual código tem o polietileno de sacos e filmes?
O polietileno de alta densidade (PEAD) usa o código 2, e o de baixa densidade (PEBD) usa o código 4. A ficha técnica confirma a resina de cada embalagem.
A NBR 13230 é obrigatória?
A norma é da ABNT e passa a ser exigência quando é citada em contrato, edital ou regulamento. Por isso vale escrevê-la no pedido de compra.
A NBR 13230 está em revisão?
Segundo a ABRE, o projeto de revisão esteve em consulta nacional até 4 de agosto de 2026. Confirme a edição em vigor no catálogo da ABNT.
Quem é responsável pela marcação da resina?
A marcação parte de quem fabrica e converte a embalagem, porque só ele sabe qual resina usou. O comprador cobra isso escrevendo a exigência no pedido.
O símbolo significa que a embalagem será reciclada?
Não. Ele identifica a resina para ajudar a separação. A reciclagem depende de coleta e de um reciclador que aceite o material.
Uma embalagem multicamada pode ser reciclada?
Depende da estrutura. Coltro e Duarte citam BOPP/BOPP e PEBD/adesivo/PA/adesivo/PEBD como viáveis para reciclagem mecânica sem separação prévia das camadas.
Embalagem com mais de uma resina leva quantos códigos?
A norma prevê indicar os componentes principais da mistura. A ficha técnica da embalagem mostra quais são.
Fontes
- COLTRO, L.; DUARTE, L. C. Reciclagem de embalagens plásticas flexíveis: contribuição da identificação correta. Polímeros, 2013. Disponível em: scielo.br
- COLTRO, L.; GASPARINO, B. F.; QUEIROZ, G. de C. Reciclagem de materiais plásticos: a importância da identificação correta. Polímeros, 2008. Disponível em: scielo.br
- ABRE, Associação Brasileira de Embalagem. Projeto de Revisão ABNT NBR 13230, 2026. Disponível em: abre.org.br



