Resumo
Atualizado em 20 de setembro de 2026.
A arte foi aprovada na tela, mas a embalagem chegou com a tinta descascando ou a cor diferente do esperado. Na impressão em plástico, o problema raramente está no desenho.
A impressão flexográfica em embalagem plástica depende de duas coisas que quase nunca aparecem na cotação. São o tratamento da superfície do filme e a prova de impressão. Quem entende as duas evita retrabalho.
Este artigo explica como a flexografia funciona, por que o polietileno precisa de tratamento corona e o que aprovar antes de liberar a produção.
Como funciona a flexografia em filme plástico
O glossário da ABRE define a flexografia como o processo de impressão que usa uma chapa fotopolimérica. Ela substitui os cilindros metálicos da rotogravura e as chapas metálicas do offset. A chapa tem a arte em relevo e transfere a tinta ao filme em movimento.
Resposta direta: A impressão flexográfica em embalagem plástica usa uma chapa fotopolimérica em relevo para transferir tinta ao filme. Como o polietileno tem baixa energia superficial, o filme passa antes por tratamento corona, que aumenta a tensão superficial para a tinta aderir. A prova de impressão confirma cor, registro e aderência antes da produção.
Cada cor da arte usa uma chapa própria. Por isso o número de cores, o alinhamento entre elas e a fidelidade da cor entram na conta de custo e de qualidade.
Já aprovou uma arte linda na tela e recebeu o lote com a tinta saindo ao menor atrito? O problema quase nunca é a arte, é o preparo da superfície antes de imprimir.
Por que o polietileno precisa de tratamento corona
Segundo Coltro e Alves, do CETEA/ITAL, as poliolefinas têm baixa energia superficial: 31 dinas/cm no polietileno e 32 dinas/cm no polipropileno. Esse valor baixo torna o plástico pouco receptivo a tintas, adesivos e revestimentos.
Exemplo prático: os autores explicam que a energia superficial ideal do filme fica de 7 a 10 dinas/cm acima da tensão do líquido com que ele vai interagir.
Se a tinta tem 30 dinas/cm, o filme precisa passar de 37 a 40 dinas/cm. O polietileno virgem fica em torno de 31, então sozinho não segura a tinta. Sem tratamento, a tinta tende a não aderir.
Para elevar esse valor, a mesma fonte cita três tratamentos usuais, que diferem no jeito de atuar:
- Corona: descarga elétrica de alta tensão que converte a superfície apolar do filme em uma superfície mais receptiva à tinta. É amplamente usado na conversão de filmes plásticos e pode tratar também a face oposta do filme, uma de suas desvantagens.
- Plasma: também ioniza um gás, mas forma uma nuvem uniforme, sem descargas elétricas visíveis, e evita o tratamento indesejado na face oposta.
- Chama: citado pelo CETEA como um dos tratamentos mais usados, ao lado do corona e do plasma.
Na prática, o comprador raramente escolhe o tratamento. O que ele deve exigir é o resultado: o nível de tensão superficial do filme na hora de imprimir e o teste de aderência aprovado.
O que conferir na prova de impressão
A prova é a última chance de corrigir a arte antes de a produção rodar. Vale conferir cinco pontos:
- Cor: compare com a referência aprovada, sob a mesma luz, porque o tom muda com a iluminação e com o fundo do filme.
- Registro: as cores precisam estar alinhadas, sem contorno de outra cor aparecendo nas bordas.
- Legibilidade: textos pequenos, códigos e símbolos precisam ficar nítidos no tamanho real.
- Aderência: a tinta não pode sair com atrito ou com o teste de fita adesiva.
- Posição: a arte, os símbolos obrigatórios e a marcação de resina têm de cair no lugar certo depois do corte e da solda.
Cada ponto vira um critério escrito de aceite, e a prova aprovada vira a referência do lote inteiro.
Não tem certeza se a sua prova de impressão cobre todos esses pontos? Envie a arte para a equipe técnica revisar antes de aprovar o lote.
Aderência e uso final: o que testar
Uma impressão bonita na saída da máquina pode falhar no uso. O teste precisa reproduzir o que a embalagem vai enfrentar:
- Atrito e manuseio: esfregar a área impressa e verificar se a tinta sai.
- Contato com o produto: umidade, gordura ou produto químico podem atacar a tinta.
- Tempo de estoque: o tratamento corona pode perder efeito com o tempo. Por isso a impressão deve ocorrer em prazo razoável depois do tratamento.
- Empilhamento: a tinta não deve transferir para a camada de cima nem grudar no rolo.
A escolha da resina e das propriedades do filme, que influenciam a impressão, está no artigo sobre bobina plástica sob medida.
O que pesa no custo da impressão
O preço de uma embalagem impressa não vem só do plástico. A impressão soma etapas que se repartem pelo lote inteiro, e por isso o volume muda o custo por unidade.
- Número de cores: cada cor exige uma chapa e um ajuste de máquina, então mais cores encarecem o setup.
- Chapas e arte: a chapa é feita uma vez por arte e por cor, e se repete nos pedidos seguintes se a arte não mudar.
- Ajuste e refugo: a máquina consome material até acertar cor e registro, e esse consumo pesa mais nos lotes pequenos.
- Tamanho do lote: o custo fixo de ajuste se dilui em lotes maiores, e por isso arte com muitas cores pede volume.
Antes de pedir cotação, vale decidir quantas cores a arte realmente precisa. Uma arte simplificada costuma reduzir custo sem perder legibilidade.
O que informar no pedido de impressão
A cotação de uma embalagem impressa só é comparável se todos os fornecedores receberem as mesmas informações. Ao especificar uma embalagem PEAD sob medida ou uma bobina personalizada, envie:
- Arquivo da arte: em formato vetorial, com as cores definidas.
- Número de cores: cada cor adicional entra no custo e no ajuste.
- Referência de cor: amostra física aprovada ou código de cor.
- Critério de aceite: aderência, registro e tolerância de cor, por escrito.
- Símbolos e marcações: logotipo, código de resina, informações legais e posição de cada um.
As demais decisões da personalização estão no artigo sobre embalagem plástica personalizada.
A impressão boa começa antes da tinta
A impressão flexográfica em embalagem plástica só fica boa quando a superfície do filme está preparada. O polietileno tem em torno de 31 dinas/cm e precisa de tratamento para segurar a tinta.
Na compra, isso significa pedir a informação do tratamento e exigir uma prova de impressão aprovada por escrito. Antes de liberar o lote, teste a aderência no uso real da embalagem.
A impressão flexográfica descrita aqui é feita na própria fábrica em Duque de Caxias, sem terceirização.
Perguntas frequentes
O que é impressão flexográfica em embalagem plástica?
É a impressão feita com uma chapa fotopolimérica em relevo que transfere a tinta ao filme em movimento. É um dos processos mais usados para embalagem flexível.
O que é tratamento corona em filme de polietileno?
É um tratamento de superfície por descarga elétrica que aumenta a tensão superficial do filme. Isso melhora a aderência de tinta, adesivos e revestimentos.
Qual a tensão superficial do polietileno sem tratamento?
Cerca de 31 dinas/cm, segundo o CETEA/ITAL. É baixa demais para a maioria das tintas, que pedem filme acima de 37 a 40 dinas/cm.
Como sei se a tinta vai aderir ao filme?
Pela tensão superficial do filme, que deve ficar de 7 a 10 dinas/cm acima da tensão da tinta. O teste de aderência feito na prova confirma o resultado.
Por que a tinta descasca no plástico?
Em geral por tratamento de superfície insuficiente ou perdido com o tempo. A prova e o teste de aderência ajudam a detectar o problema antes da produção.
A prova de impressão precisa ser aprovada por escrito?
Sim. A prova aprovada vira a referência do lote e evita discussão sobre cor e registro depois da entrega. Guarde a aprovação junto com o pedido.
Toda embalagem plástica pode ser impressa?
Em geral, sim, mas o filme precisa ter a superfície preparada. Polietileno sem tratamento tem baixa energia superficial e não segura a tinta.
Quanto custa imprimir uma embalagem plástica?
Depende do número de cores, das chapas, do ajuste da máquina e do tamanho do lote. Mais cores e lotes menores elevam o custo por unidade.
O que aprovar na prova de impressão?
Cor, registro, legibilidade, aderência e posição da arte. A prova aprovada vira a referência escrita do lote inteiro.
Fontes
- COLTRO, L.; ALVES, R. M. V. Tratamento superficial de filmes flexíveis por plasma. Informativo CETEA, Instituto de Tecnologia de Alimentos, v. 13, n. 2, 2001. Disponível em: ital.agricultura.sp.gov.br
- ABRE, Associação Brasileira de Embalagem. Glossário: termos do setor de embalagem (definição de flexografia). Disponível em: abre.org.br



